A Intertechne alcançou a marca de 500 barragens inspecionadas, um marco que sintetiza mais de três décadas de atuação em obras hidráulicas, geração de energia e gestão de segurança de estruturas. A trajetória começou ainda nos primeiros projetos de usinas hidrelétricas da empresa, quando as equipes eram responsáveis pelo monitoramento das barragens durante o enchimento dos reservatórios e nos primeiros anos de operação. Esse trabalho inicial consolidou uma cultura técnica que se tornaria, mais tarde, um dos alicerces do atual programa de segurança de barragens da companhia.
A partir de 2010, com a criação da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), o setor passou a ganhar novas diretrizes, e a Intertechne ampliou sua atuação para além de empreendimentos projetados por ela. O amadurecimento regulatório e a elevação das exigências técnicas transformaram o mercado, o que levou a empresa a estruturar de forma mais robusta seus processos e metodologias. Esse movimento se intensificou a partir de 2018, com a expansão da equipe, a padronização de rotinas e a incorporação de ferramentas que aumentaram a rastreabilidade e a qualidade dos diagnósticos.
Hoje, a Intertechne realiza inspeções em todo o território nacional, apoiada por uma base técnica em Curitiba e suporte operacional em diversas capitais. No exterior, equipes da empresa já atuaram em avaliações de segurança em Angola — nas usinas de Laúca, Cambambe e Capanda — e na usina de Chaglla, no Peru, além de manter presença na Argentina e na Bolívia. A diversidade das estruturas inspecionadas inclui barragens hidrelétricas de grande porte, sistemas de abastecimento de água, barragens industriais e estruturas agrícolas.
Um dos aspectos que mais desafiam as equipes é a amplitude de cenários enfrentados. A variedade de materiais, portes e históricos operacionais exige avaliações sob medida, que combinam análises documentais, inspeções de campo e métodos de priorização de risco. Além disso, eventos extremos têm exigido respostas rápidas e coordenação entre especialidades. Um exemplo foi a atuação durante as cheias extraordinárias no Rio Grande do Sul, em 2024, quando a empresa foi acionada para inspecionar oito barragens afetadas pelo evento. Naquele contexto, equipes mobilizadas ainda durante a passagem das cheias contribuíram com análises emergenciais, seguidas pela condução das Inspeções de Segurança Especial, previstas em norma para casos de eventos atípicos.
O corpo técnico envolvido nas inspeções reúne mais de 100 profissionais habilitados, entre engenheiros civis, geotécnicos, hidrólogos, eletromecânicos, geólogos e especialistas em instrumentação. O amadurecimento dessas equipes se deu tanto por treinamento interno e incentivo acadêmico quanto pela formalização de procedimentos e desenvolvimento de materiais de referência que orientam as práticas de inspeção. O uso de tecnologias — como drones, ferramentas digitais de registro, análises de instrumentação e estudos avançados (elementos finitos e CFD) — ampliou a precisão dos diagnósticos.
Para os profissionais à frente do programa, atingir 500 inspeções não representa apenas um volume expressivo, mas um reflexo do papel da engenharia na prevenção de riscos e na proteção de vidas e territórios. O marco também traduz a confiança depositada por empreendedores públicos e privados em uma equipe capaz de atuar em contextos complexos, oferecer análises consistentes e acompanhar o ciclo de vida das estruturas com responsabilidade técnica.


